A história da fintech nas Seychelles é diferente da maioria dos países africanos. O país tem uma população pequena, um mercado de startups limitado e enfrenta desafios distintos de inclusão financeira. A sua oportunidade reside em utilizar as finanças digitais para conectar ilhas dispersas, modernizar a indústria de serviços financeiros já estabelecida e reduzir a dependência excessiva do turismo.
O Porto de Vitória (na ilha de Mahé) continua a ser o centro comercial e financeiro. O setor bancário inclui o Absa Bank Seychelles, o Mauritius Commercial Bank Seychelles, o Nouvobanq e o Seychelles Commercial Bank. Além da banca doméstica, o país desenvolveu uma indústria internacional de serviços financeiros que abrange gestão de empresas, mercado de capitais, seguros e serviços de investimento.
De acordo com as previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI), o Produto Interno Bruto (PIB) nominal das Seychelles este ano será de cerca de 2,25 mil milhões de dólares, com um PIB per capita de aproximadamente 17 670 dólares. Embora esteja entre os primeiros em África, espera-se que o crescimento económico abrande de 5,1% no ano passado para 1,5%, refletindo principalmente a fraca procura turística e as pressões geopolíticas.
Fintech: Resiliência em vez de disrupção
Em mercados maiores, a fintech é frequentemente vista como uma força disruptiva que desafia a banca tradicional. Nas Seychelles, a sua utilidade é mais evidente: os serviços financeiros digitais podem reduzir os custos de prestação de serviços entre ilhas, melhorar o acesso a serviços governamentais e comerciais, diminuir a dependência de dinheiro e infraestruturas bancárias físicas, e apoiar operadores turísticos, pesca, comerciantes e pequenas empresas que dependem de pagamentos nacionais e internacionais eficientes.
Assim, o Banco Central das Seychelles colocou a modernização do sistema de pagamentos como núcleo da transformação digital. O seu Relatório Anual de 2025 enfatiza o avanço contínuo do Plano Nacional de Modernização do Sistema de Pagamentos, aumentando a resiliência financeira e a infraestrutura financeira digital; o Plano Estratégico 2024-2028 lista os pagamentos digitais e a inovação financeira como prioridades de longo prazo.
Adeus aos pagamentos em papel
Um exemplo claro desta transformação é a eliminação progressiva do uso de cheques. O banco central deixou de utilizar cheques para pessoas singulares a partir de janeiro de 2025, alargando a medida a empresas e outros utilizadores a partir de janeiro de 2026. Esta medida visa incentivar alternativas eletrónicas mais seguras, rápidas e eficientes, e promover a adoção de pagamentos digitais.
Entretanto, os bancos continuam a investir em banca online, aplicações móveis, pagamentos contactless e transferências eletrónicas. Para uma economia turística dependente de visitantes globais, a aceitação fiável de pagamentos digitais torna-se cada vez mais importante.
O FMI também salienta que novas reformas do mercado financeiro – incluindo a introdução de um sistema de liquidação bruta em tempo real e de um depositário central de títulos – fortalecerão a infraestrutura financeira do país nos próximos anos.
Reforço do quadro regulamentar dos ativos digitais
O setor internacional de serviços financeiros das Seychelles acrescenta outra dimensão importante à fintech. O país acolhe há muito tempo empresas financeiras internacionais, mas reformas recentes reforçaram a supervisão das atividades com ativos virtuais. A Lei dos Prestadores de Serviços de Ativos Virtuais de 2024 introduziu um quadro de licenciamento abrangente que abrange bolsas, custodiantes, corretores e outros fornecedores de ativos digitais.O Gabinete de Serviços Financeiros é agora responsável pela licenciamento e supervisão de prestadores de serviços de ativos virtuais, aplicando simultaneamente requisitos reforçados de combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo. O FMI salienta que as Seicheles passaram de uma jurisdição cripto considerada de regulação laxista para a implementação de um quadro regulamentar abrangente alinhado com as normas internacionais. No início de 2026, os pedidos ao abrigo do novo regime ainda estão a ser avaliados, enquanto o Gabinete de Serviços Financeiros desenvolve uma abordagem de supervisão totalmente baseada no risco.
Oportunidades de Fintech Especializadas
É improvável que as Seicheles desenvolvam um ecossistema fintech medido por centenas de startups – o seu mercado interno é demasiado pequeno. Em vez disso, as oportunidades surgem em áreas como pagamentos turísticos, serviços de câmbio, identidade digital, regtech, tecnologia de conformidade, gestão de património e produtos financeiros associados à economia azul.
As finanças climáticas são outra área onde a fintech pode desempenhar um papel importante. O Governo continua a desenvolver mecanismos de financiamento que apoiam a resiliência climática, a conservação marinha e o investimento sustentável, criando oportunidades para plataformas financeiras digitais melhorarem a transparência, a comunicação e a mobilização de capital.
Perspetivas Futuras
As Seicheles não precisam de replicar o modelo fintech do Quénia, da Nigéria ou da África do Sul. A sua vantagem comparativa reside na combinação de um setor maduro de serviços financeiros internacionais com a flexibilidade de uma economia insular de pequena dimensão. O desafio para 2026 e mais além é garantir que a modernização dos pagamentos, a regulamentação mais robusta dos ativos digitais e o investimento contínuo em infraestruturas financeiras beneficiem tanto os investidores internacionais como a economia doméstica. Se este equilíbrio for alcançado, a fintech não será apenas um serviço financeiro adicional, mas sim um fator que reforça a resiliência económica de longo prazo do país, consolidando ao mesmo tempo a reputação das Seicheles como um dos centros financeiros mais inovadores e de pequena escala de África.